domingo, 25 de setembro de 2011

O cheiro do poema


Os olhos fundos,
Por culpa do não sono da noite anterior.

Por um momento ela sorri,
“porque estou sorrindo?” pensou.
Mas ela sabia perfeitamente que aquilo era alivio.

Um momento depois caiu em si.
E a ultima coisa que pensou foi:
_estou me repreendendo até em minha morte.
                                               Eriko Renan

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A vida, uma rápida morte



Sobre a mesa, apenas um copo, com dois ou três dedos de vinho.
-Alguém esteve aqui, e bebeu de meu vinho.
As nuvens estavam lindas, pareciam cachoeiras, de um cinza escuro e um tom alaranjado por culpa do por do sol.
-Você está sangrando!
-Não, eu estou chorando com todo meu corpo, talvez por dor, raiva ou...
-Lembro-me de nada além de velas ao redor de minha cama...
-... e de meu cachorro, que morrera alguns dias antes, com um olhar que não sei explicar, mas me passou saudade. Déjà vecu.
                               Eri Naner

sábado, 20 de agosto de 2011

Hoje eu quero chorar sem motivo,

Quero sorrir e cantar.

Sai hoje, fui para rua, como todos os dias,

Hoje eu fui para rua nu, como nunca.

Hoje eu vi que aquilo que me veste não sou eu,

Então chorei e sorri quando vi quem era eu.

Eriko Renan

domingo, 22 de maio de 2011

Escolhas

Ele pensava, e simplesmente sofria,

Pois lógico que essas cabeças que pensam,

Sofrem mais que as que não.

Queria agir mais e pensar menos, assim como

Os que são movidos pelo coração


Em um momento qualquer,

Nada imposto, Ele fez um pedido, que logo foi atendido.

Agora, Ele tem o coração na cabeça,

E o cérebro no peito.


Então, onde estará sua precisão?

Em seus vasos não corre sangue, mas sim pensamentos,

De seu nariz não sai mais pedaços de cérebro,

E agora, Ele não tem mais lagrimas de pensamento,

E sim de sangue.


Eriko Renan

domingo, 17 de abril de 2011

Pensamentos de um dia

O dia estava triste. Foi no dia triste, escuro e um tanto chuvoso, com pancadas melancólicas de choro dos Deuses. Num andar feliz, contrariando todos os sentidos daquele dia, numa estranha felicidade calma e leve, descia eu, uma ladeira, inclinando o corpo para traz, numa tosca sensação de flutuar momentânea.

Num olhar panorâmico da rua, eu vi uma praça, em frente a uma igreja, como não haveria de ser, mas em cotidiano de descer ladeiras, nada era diferente, nada havia de me chamar atenção, a não ser uma bela mulher, que estava lá, distante e indiferente, do outro lado da rua. Eu lento, ela rápida, tinha um corpo belo, vinha em minha direção, eu a observava, sei, lembro a roupa que vestia, mas nada disso importa.

Aproximou-se, era bela, mas uma beleza cotidiana, com a cabeça baixa, numa expressão corporal triste, passo a passo. Estávamos quase nos cruzando, levemente sua cabeça se move, e só então percebo seus olhos, lindos, estagnados num observar o nada, num encontrar-se, e de toda aquela beleza cotidiana o choro dos deuses não mais importava, pois, ela estava em pranto, com lagrimas perfeitas e simples.

Indignado, me perguntei, porque só agora percebi, que de seus olhos caiam lagrimas? E toda aquela felicidade estranha, se esvai, aquela leveza, não mais a tenho, a bela não me olhou, enquanto eu a fitava, e suas lagrimas caiam, e sua respiração ofegava. Enquanto minhas costas pesavam, ela simplesmente passou, não sei para onde, não sei por que, ela com suas lagrimas, e eu com meu peso, ou o peso das lagrimas dela.

Eriko Renan

terça-feira, 1 de março de 2011

Uma noite admiravel

Toda noite é uma noite feliz

Não importa o sentido do que falo,

Só importa que falo.


Que a noite é linda, não importa a noite,

Ela é admirada, eu a admiro

E ela me admira, não é ego achar isso,

Mas numa espécie de sintonia, à noite me faz bem...


Quando todos dormem,

Eu escrevo, eu sorrio, eu choro.

Numa quebra de rotina, de uma rotina que não é minha,

E isso me faz bem,

O simples saber que sou diferente,

E que por eu a admirar, ela também me admira.

Não preciso de luas ou estrela, para ser feliz só com a noite.

Eriko Renan